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Em terceira pessoa


Ela estava com tanta saudade que poderia secar duas garrafas de whisky e não sentir alivio algum. Vinte e tantos dias, uma eternidade de sentimentos se passavam na cabeça dela, essa distancia toda ainda a enlouquece de vez, mais uma vez.

Ele com aquele jeito durão mal falava sobre saudade, o que atormentava ainda mais a mente doentia dela que era capaz de imaginar qualquer lorota ruim e só pesava um pouco mais na dor.

Quem vai entender a cabeça doentia de uma mulher?! Ela sabia todos os reais motivos da viagem, sabe que ele foi ver a família que mora longe e sabe que em breve vai voltar todo cheio de saudade e precisando do que ele tem em BH, ela.

Finalmente os dias trataram de correr. A infelicidade dele em voltar para o inferno da cidade e a felicidade em encontrar o paraíso nela, quando quiser. Ele voltou e tudo agora estava tranquilo.

A menina com todos os seus preparativos, esmalte vermelho, da cor que ele mais gosta de ver nela, aquela felicidade boba e a vontade de contar várias histórias bobas só para esquentar. A imaginação dela pegava fogo e despia ele antes mesmo de toca-lo, o quanto ele quiser, ela quer também.

E ele que não ouse sair dali, das mãos vermelhas dela.

Um autor desconhecido disse “É difícil ver o quadro quando você está dentro da moldura.”. E assim foi, saltou do quadro e agora admirava o que via por lá, os dois, narrando nós dois.

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